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História

O primitivo núcleo denominado Nossa Senhora da Pena do Rio Vermelho surgiu presumivelmente na segunda metade do século XVIII, estando sua formação condicionada à atividade agrícola. O povoado representava um local de passagem e comércio daqueles que buscavam as regiões auríferas, funcionando também como uma das fontes abastecedoras de algumas áreas mineradoras vizinhas, sobretudo o Tijuco. O povoamento se dá à beira do rio Barreiras, ponto de cruzamento das estradas de Diamantina para Minas Novas e Filadélfia.

O município foi fundado possivelmente por Antônio Gonçalves Torreão; que registrou um auto possessório feito pelo Vigário Francisco Martins, em 10 de abril de 1758, reconhecido pelo Governo Provincial somente em 1.776. Após esse acontecimento, foi instituída a paróquia por provisão de 5 de abril de 1810. Segundo o Naturalista Francês Auguste Saint-Hilaire, que em Rio Vermelho esteve em 1817, no seu livro "Viagem Pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais" definiu a "Ponte dos Paulistas" como a Maior obra da Engenharia de Minas Gerais até aquele ano, e desde Mariana (a então Capital da província de Minas Gerais) não vira nenhuma obra gigantesca como aquela e disse textualmente: "Seu nome prova que é devido a alguns desses ousados aventureiros, que partindo da Cidade de São Paulo levaram a cabo antigamente tantas descobertas no interior das Terras e cuja lembrança não se apagou da memória dos Brasileiros",.. A Ponte fora construída no local onde há o encontro das águas do Rio Vermelho com o Rio Turvo, na divisa do município de Rio Vermelho com Paulistas (Cachoeira de Geraldo Miranda).

Saint-Hilaire disse também: “Rio Vermelho foi edificada sobre uma pequena planície cercada de todos os lados por montanhas. Tem maior comprimento que largura, e compõe-se de umas cinqüenta casinhas que, na maior parte, são de construção recente, mas das quais apenas duas ou três foram caiadas e apenas constam, todas elas, do rés-do-chão". Parece que seus habitantes foram atraídos, não pelo intuito de procurar ouro, porém, pela fertilidade do terreno e pela vizinhança do Tijuco, onde os víveres se vendem por preços mais altos que em outros lugares. A agricultura constituiu-se, então, a ocupação de todos os habitantes da região. Além de Saint-Hilaire, o naturalista dinamarquêsPohltambém passou por Rio Vermelho em meados do ano de 1818, segundo consta em um artigo publicado no Jornal do Comércio, de 18 de abril de 1923.

Algumas bandeiras importantes que percorreram o Município de Rio Vermelho e região Leste de Minas Gerais ficam assim especificadas:

1º-A bandeira liderada por Francisco Bruzza Espinosa, o primeiro Homem Branco que pisou o solo Mineiro no ano de 1536 (para outros Historiadores 1554- Expedição que partiu de Porto Seguro - Bahia).

2º-A bandeira liderada por Sebastião Fernandes Tourinho, no ano de1572(saindo de Porto Seguro na Bahia).

3º-A bandeira liderada Por Marcos de Azeredo Coutinho (que ano de 1612 encontrou o primeiro Diamante do Brasil ás margens do Rio Suassuí Grande) advindo do Espírito Santo e fazendo o mesmo trajeto do Bandeirante Sebastião Fernandes Tourinho.

4º-A Bandeira liderada por Fernão Dias Paes Leme, que saindo de São Paulo no dia 21 de julho de 1674 tomando rumo do Rio Paraíba, passando por Taubaté, Pindamoiangaba e daí penetrouno Território Mineiro passando por Passa Quatro, Pouso Alto, Caxambu, Baependi, Ibituruna, daí rumo ao Rio das Mortes até fundar sua segunda Feitoria em Minas (São Pedro do Paraopeba),. daí ruma pela região de Betim, Lagoa Santa, Sumidouro, Rio das Velhas e parte para a região de Serro Frio, daí deflete rumo até Itacambira e inicia o seu retorno passando por Itamarandiba e chega a região de Rio Vermelho e no local onde encontra as águas do Rio Vermelho com o Rio Turvo, constrói a maior obra da engenharia mineira, a Ponte dos Paulistas.

Entre o momento da fundação e a visita de Pohl, foi construída na região uma capela dedicada à Nossa Senhora da Pena, protetora dos intelectuais, e daí veio o primeiro nome do município. Entretanto, a capela primitiva e bem assim a Matriz nas publicações oficiais, no decreto-lei acima mencionado, nas publicações ao Departamento Estadual de Estatística, figura com a denominação de Nossa Senhora da Penha do Rio Vermelho. Ainda sobre a Matriz, num ofício de Dom Frei José da Santíssima Trindade, de 10 de março de 1826, ao Ministério da Justiça, lê-se que a construção original da capela, depois Igreja Matriz de Rio Vermelho teria caído, servindo de Matriz uma casa particular. Rio Vermelho só veio a ter uma nova Igreja Matriz em meados de 1825, construída pelo Sr. Francisco Tomaz (o "Chico Tomaz"), sendo que o início das obras datam de 1820 aproximadamente. Diz-se sobre o local da construção que teria pertencido a um homem chamado Manoel Serra, taxado como "mendigo" e que usava o local (um grande taquaral) como roçado. O primeiro padre da paróquia foi Marcos Vaz Mourão. Segundo José Vicente de Mendonça, "na primeira metade do século XIX, Rio Vermelho prosperou tanto que foi proposto para sede de um município (pág. 05)", com um comércio ativo e disputas políticas locais acirradas entre as famílias Carvalhais e Lopes, a primeira apoiando o Partido Conservador e a segunda ao Partido Liberal. Tal pedido foi defendido, junto à Câmara Provincial de Ouro Preto, em conjunto com a proposta emancipação de Itambacurí, pelo Deputado João Antônio Mendonça Machado em 1822. Entretanto, o pedido não foi atendido plenamente. Atendendo somente ao segundo distrito, Rio Vermelho permaneceu como Distrito do município do Serro.

Em 1883 chega à Rio Vermelho seu primeiro médico, João Antônio Lopes Figueiredo, e em 1914, o distrito ganha sua primeira biblioteca, elaborada por José Vicente de Mendonça, que no mesmo ano fundou um centro cívico e em 1915 fundou o primeiro periódico da cidade, chamado "Rio Vermelho". Em 1920, José Vicente fundou um clube chamado "Clube Tiradentes", no intuito de unir a população em prol da emancipação de Rio Vermelho. Desse núcleo primitivo, apesar das lutas internas pelo poder local e divergências político-ideológicas (o "Partido Tanajura" de Honório Lopes versus o "Partido Formigão" liderado pelo Pe. Câmara), saiu a comissão "pró-vila", que em 1923 conseguiu apresentar nova proposta de emancipação, novamente reprovada pelo Governo de Minas Gerais.

O Município só foi criado em 1938 pela Lei nº148, de 17 de dezembro do mesmo ano, desmembrado do município do Serro, e com seu topônimo atual. O Sr. Ataliba Pires, por intermédio do Sr. Hildebrando Clark, conseguiu em 1937 - após a instauração do "Estado Novo" - que o processo de emancipação de Rio Vermelho fosse reavaliado pela nova administração estadual, que finalmente deu parecer favorável à emancipação, em favor das reivindicações da comunidade riovermelhense. Rio Vermelho teve como primeiro prefeito o Sr. Serafim Salomão, empossado em 1939, mas que governou por um curto espaço de tempo, pois faleceu exercendo o mandato, sendo substituído por Paulo Penido, que dentre outras melhorias, trouxe luz elétrica e um campo de pouso para o município.

Constituído de dois distritos, a Sede e o distrito de Pedra Menina (criado em 1943 pelo decreto Lei nº1058, de 31 de Dezembro), em 38, época de sua emancipação, em Rio Vermelho também havia o distrito de Mãe dos Homens (atual Materlândia), que foi desmembrado em 1962 pela Lei nº2764, de 30 de Agosto.
O cel. Santos Costas, governou quatro anos obtendo a criação da comarca em 1953 e dando inicio a construção da rodovia para Itamarandiba.
Em 1954, foi eleito o Dr. José Maria Filgueiras Moreira, que realizou ainda muitas obras, destacando-se entre todas a instalação da Comarca.
Até a década de sessenta, Rio Vermelho possuía muita influência de Diamantina, pois desde a sua formação o povoado sempre se prestou a abastecer a região do Tijuco, exercendo com ela importante atividade comercial. Depois da abertura da estrada que liga o município a Guanhães, outro pólo importante de negócios e serviços da região, o comércio entre os dois se intensificou e a relação aumentou a ponto de superar a antiga ligação com Diamantina.

A cidade de Rio Vermelho apresenta um conjunto urbano que, originalmente era composto por casas de tipologia colonial, mas que está ficando cada vez mais heterogêneo, o que denota um intenso processo de renovação e substituição urbana. Uma das causas desse processo é o grande êxodo rural verificado nos últimos vinte anos e acentuado ainda mais nos últimos dez anos, resultando num crescimento acelerado das periferias da cidade. O outro fator é a evasão de muitos cidadãos para os Estados Unidos, que mandam dólares para as suas famílias, principalmente, para adquirirem terrenos e construírem imóveis na cidade. Esse fato está tendo um impacto muito grande na economia local, pois está ocorrendo uma supervalorização dos terrenos e a construção civil vem crescendo a passos largos. Aliado a esses dois fatores existe outro, que é a falta de vínculo afetivo entre os proprietários atuais e seus imóveis antigos. Muitos dos moradores tradicionais de Rio Vermelho mudaram-se para a capital ou outras cidades, vendendo os casarões e sobrados para quem veio de fora. Esses novos residentes pouco ou nada sabem a respeito do histórico das edificações onde vivem e não possuem um vínculo com o imóvel a ponto de evitar a sua substituição por um novo. Sendo assim, o acervo arquitetônico e urbanístico de tipologia colonial da cidade está cada vez mais ameaçado de se extinguir, dando lugar a novas edificações, sem uma preocupação estilística e um valor estético. Na área rural ainda podem ser encontrados alguns exemplares da arquitetura civil rural que obedecem ao padrão colonial, apresentando, em alguns casos, um belo acervo de bens móveis

Os bens imóveis de caráter religioso mais relevante para o município são: a Capela de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Pena a Casa Paroquial. Mesmo estando a Matriz bastante descaracterizada, sua localização privilegiada na Praça Nossa Senhora da Pena contribui para seu destaque na vida cotidiana da cidade. A Capela de Nossa Senhora do Rosário e a casa paroquial se encontram pouco alteradas, sendo bons exemplares da arquitetura colonial.

Em relação à arquitetura civil, os conjuntos urbanos da Praça Nossa Senhora da Pena, da Rua Bernardino Carvalhais e da Rua Ciro Gonçalves de Brito são os mais significativos, que ainda guardam alguns exemplares da arquitetura colonial da época da formação da cidade.

O Mercado Municipal, apesar de não possuir um estilo arquitetônico relevante, é um local de extrema importância na vida dos cidadãos. Segunda-feira e sexta-feira, curiosamente, são dias tradicionais de feira. A cidade fica movimentada por pessoas que vêm das imediações mais próximas, com o propósito de desfrutar do dia do comércio no mercado.

A lavanderia do Beco da Praia é um local tradicional desde a formação do município. Antes da construção do hospital municipal, as lavadeiras utilizavam o Rio Barreiras para lavarem suas roupas. Depois o rio ficou poluído e não mais pôde ser utilizado. Na década de oitenta a prefeitura da cidade canalizou a água e construiu dois galpões com tanques para as lavadeiras continuarem exercendo seu trabalho. O espaço é público e não é necessário pagar para usar a água e os tanques. O cemitério e o hospital municipal também são importantes para população local por prestarem serviços de extrema necessidade.

Os bens móveis e integrados de maior importância encontram-se na Capela de Nossa Senhora do Rosário. São eles os dois retábulos laterais, caracterizados em estilo rococó tardio, sendo trabalhados em madeira, com detalhes de pintura em dourado.  Neles encontram-se as imagens de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida com manto, Santo Antônio, Santo Expedito e Menino Jesus de Praga. O altar-mor é também inteiramente trabalhado em madeira, recebendo as imagens de Nossa Senhora do Rosário, São Judas Tadeu, São João Maria Vianei. A parede dos fundos do altar-mor recebeu pintura que se assemelha a desenhos encontrados em ladrilhos hidráulicos. Na Casa Paroquial estão imagens antigas de São Miguel e de Nossa Senhora da Pena que originalmente ficavam na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Pena.

Por apresentar uma economia baseada na agropecuária, a cidade ainda possui um acervo de bens móveis e integrados nas fazendas espalhadas pelo território que possuem,como por exemplo, moinho de fubá, um monjolo com pilão, engenho equipado com roda d’água, etc. Na região de Rio Vermelho o artesanato caracteriza-se pela produção de tapete arraiolo, de tricô, de crochê e na zona rural ainda há quem saiba fazer balaio de taquara, conhecimento esse que está sujeito ao desaparecimento dentro de pouco tempo.

A culinária local caracteriza-se pelo feitio de pratos da comida mineira, com destaque para a leitoa a pururuca. Também são feitos nos fornos a lenha biscoitos, roscas e doces de frutas e quitandas em geral, dentro da nossa rica culinária temos também duas peculiaridades o “Fubá Suado” e o “Cuscuz”, ambos feitos de fubá desde a época do Brasil império. As festividades de caráter religioso vêm se transformando em comemorações bem mais singelas e tendem a desaparecer com o tempo. São elas a Semana Santa, o Império do Divino, a Festa da Padroeira, das Pastorinhas de Natal, Folia de Reis e o Reinado do Rosário, que hoje não conta mais com a presença do congado. Segundo moradores locais, até aproximadamente vinte anos atrás, existia na região o batuque, o vai-de-roda e dança de caboclo. Todas elas eram danças de roda realizadas principalmente na roça. O que diferenciava o caboclo do vai-de-roda é que esse último possuía como tema uma história de amor, ao passo que o primeiro sempre tinha o caráter de crítica social.

Outro fato importante da nossa história e que o Cel. Santos dos Inocentes Costa foi o primeiro prefeito negro, eleito no Brasil. No termo de entrega e recebimento da Prefeitura Municipal de Rio Vermelho lê-se assim: “Aos (2) dois dias do mês de Fevereiro de (1951) mil novecentos e cinqüenta e um, no edifício sede da Prefeitura Municipal de Rio Vermelho; presentes os senhores Gil de Moura Câmara, Ex. Presidente da Câmara em exercício da Prefeitura, e o Sr. Santos dos Inocentes Costa, atual prefeito eleito em três (3) de Outubro de mil novecentos e cinqüenta (1950), e empossado perante a Câmara Municipal em primeiro (1º) de Fevereiro de mil novecentos e cinqüenta e um (1951), procedem-se ao ato de entrega e recebimento da Prefeitura Municipal, tendo o ex. Prefeito pelo seu representante, apresentado ao seu sucessor o seguinte documento.”